Artigos sobre Marketing

Jornal Indústria e Comércio
Segunda, 11 de Outubro de 1994.
11ª edição da coluna – Página F1

Coluna do Marketing

por Sady Bordin

Voltamos hoje, após uma pequena interrupção de três edições, para tratar do lançamento do novo Gol, aos temas técnicos de marketing, dando continuidade ao assunto mercado.

Vimos, só para recordar, que através do cruzamento de três importantes fatores (pessoas, renda e disposição para compra) podemos avaliar o potencial de determinado mercado. E em termos genéricos, é o Brasil um bom mercado?

Para facilitar nossa reflexão, vamos dar uma olhada nos números abaixo:

COMPARATIVO DE POTENCIAL DE MERCADO

Item Brasil Exterior
Sorvete
Aparelhos de TV
Automóveis
Vinhos
Tecidos
Maçãs
Peixes
5 l/h/ano
191 un/1.000h
66 um/1.000h
3 l/h/ano
6,5 kg/h/ano
2 kg/h/ano
6,5 kg/h/ano
25 l/h/ano – Finlândia
811 um/1.000h – EUA
538 um/1.000h – EUA
60 l/h/ano – Argentina
13 kg/h/ano – Argentina
28 kg/h/ano – EUA
52 kg/h/ano – EUA

Duas conclusões iniciais podem sair dos números acima:
Ou o potencial de mercado para determinados itens é desprezível ou o mercado em questão é mal trabalhado. Eu prefiro ficar com a segunda possibilidade, senão vejamos: pegue-se o caso do vinho e do peixe. Sabemos , até por comprovação científica, que ambos fazem muito bem à saúde. Agora me diga, qual foi a última vez que você viu ou ouviu uma campanha publicitária enaltecendo a virtude do vinho ou do peixe?

Para reforçar a tese de que o mercado brasileiro é extremamente interessante para quase a totalidade dos produtos e serviços, basta ver que o Brasil é atualmente o maior mercado de ônibus Volvo e de caminhões Scania do mundo. Além disso, é o terceiro maior mercado de vodka no mundo e, quem diria, de aviões a jato de pequeno porte, atrás apenas dos EUA e do México.

ALTA SATISFAÇÃO
Caixas eletrônicos do Mercadorama. Além de agilizar o tempo gasto no check-out, o cliente pode ver na telinha do computador os preços parciais e totais do que está comprando. Coisa de Primeiro Mundo!

BAIXA SATISFAÇÃO
Localização da única concessionária Mercedes-Benz de automóveis em Curitiba. De difícil acesso e com pouca visibilidade (fica praticamente abaixo do viaduto da Mal. Floriano sobre a BR). Uma marca deste porte merecia algo como uma Av. Batel, a exemplo da futura BM Place.

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