Artigos sobre Marketing

Jornal Indústria e Comércio
Segunda, 17 de Outubro de 1994.
12ª edição da coluna – Página F1

Quem consome mais: classes AB ou classes CDE?

por Sady Bordin

Vimos na edição passada que o mercado brasileiro é promissor, desde que bem trabalhado, para a quase totalidade dos produtos e serviços. Mas em termos de classes socioeconômicas, quais são as mais consumidoras? Esta pergunta pode ser facilmente respondida através de uma profunda pesquisa finalizada em 1990 pela Gouvêa de Souza & MH e InterScience. O estudo mostrou, muito claramente, que 81,9%das famílias brasileiras, com renda de um a dez salários mínimos, consomem anualmente US$ 76,1 bilhões. Já as famílias com renda entre dez a 40 salários mínimos, 16,3% do total de famílias, consomem anualmente US$ 73,8 bilhões, portanto, um pouco menos do que o primeiro grupo.

Isto mostra que muitas empresas erraram em suas estratégias de lançar produtos e serviços sofisticados, deixando à margem de seus objetivos o maior mercado consumidor do Brasil. Talvez por este motivo o consumo de bens duráveis permaneceu estagnado durante a década passada.

O poder de consumo das classes CDE ficou evidente com a chegada do real, pois foi justamente nestas classes onde se deu o maior incremento de compras. Especialistas acreditam que estes consumidores tiveram seu poder de compra aumentado em até US$ 1 bilhão, visto que sua renda desindexada deixou de ser corroída pela inflação.

E em termos numéricos a comparação torna-se ridícula. As classes CDE representam 91% da população brasileira ao passo que as classes AB representam apenas 9% do total.

Quem sabe FHC consiga mudar um pouco este quadro em sua difícil caminhada de quatro anos que se inicia em janeiro.

Resta às empresas recuperarem o tempo perdido na década de 80 oferecendo produtos e serviços mais acessíveis ao maior público consumidor do País, justamente a parcela da população (maioria absoluta) que ganha de um a dez salários mínimos.

O retumbante sucesso dos carros – dito “popular” – é prova inconteste de que estratégia para os bens duráveis e semiduráveis estava distorcida e que uma pequena correção de rota pode trazer agradáveis surpresas.

ALTA SARISFAÇÃO
Promoção original da Folha de São Paulo ao oferecer aos seus leitores fascículos semanais do atlas mundial. Além de elevar a baixa circulação do meio jornal, é um benefício extra-agregado ao produto.

BAIXA SATISFAÇÃO
Idéia infeliz da revista Veja de produzir a capa de sua edição da semana passada em preto e branco. Além do fato do presidente eleito merecer policromia, a ausência de cor lembra tristeza, miséria e pobreza. Tudo o que não queremos para o Brasil.

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